Qual é o papel estratégico do RH para estimular a saúde mental no trabalho?

O Sesi Paraná apoia indústrias na promoção da saúde e do bem-estar, com soluções que fortalecem a prevenção e o cuidado contínuo no ambiente de trabalho.

30/01/2026 - Atualizado em 03/02/2026

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A saúde mental consolidou-se como um dos principais desafios contemporâneos da gestão de pessoas. Longe de se restringir ao campo individual, o tema ocupa hoje posição central nas discussões sobre produtividade, clima organizacional, retenção de talentos e sustentabilidade dos negócios. Dados das Nações Unidas, por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que cerca de 15% da população economicamente ativa no mundo convive com algum transtorno mental, como depressão ou ansiedade, condições que afetam diretamente o desempenho profissional e a qualidade de vida.

Segundo a OMS, depressão e ansiedade são responsáveis pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando um impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão em prejuízos à produtividade global. O cenário reforça a compreensão de que a saúde mental deixou de ser uma pauta acessória para se tornar um tema estratégico, especialmente no ambiente corporativo.

No Brasil, levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), mostram crescimento consistente nos diagnósticos de ansiedade e depressão na população adulta nos últimos anos, com reflexos diretos no mercado de trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, bem como os índices de estresse ocupacional, coloca o tema no centro das responsabilidades das organizações.

Brasil soma 546.254 afastamentos em 2025 e atinge novo recorde em 10 anos

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais da última década, repetindo e superando o recorde do ano anterior. Ao todo, foram 546.254 licenças concedidas por questões de saúde mental, evidenciando um cenário de adoecimento cada vez mais amplo entre trabalhadores formais.

O impacto aparece também no volume geral de afastamentos: o país teve mais de 4,1 milhões de licenças por incapacidade temporária em 2025, o maior número em cinco anos, com alta de 17,1% em relação a 2024. Dentro desse cenário, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15%, e os dois diagnósticos já formam, juntos, o 2º maior motivo de afastamento no Brasil, atrás apenas de doenças da coluna.

Entre os principais motivos de afastamento por saúde mental, os transtornos ansiosos lideraram com 166.489 licenças, seguidos pelos episódios depressivos, com 126.608 afastamentos, com estimativas de impacto de até R$ 3,5 bilhões apenas para o INSS.

RH como agente de transformação organizacional

Nesse contexto, o setor de Recursos Humanos (RH) assume papel estratégico. Mais do que administrar processos, o RH é chamado a atuar com a construção de ambientes de trabalho saudáveis, implementando ações, projetos e programas capazes de prevenir adoecimentos e promover o bem-estar emocional dos colaboradores.

A atuação do RH passa, necessariamente, pelo fortalecimento de um clima organizacional saudável, atuando no desenvolvimento de lideranças mais conscientes e na implementação de ações em Saúde alinhadas às necessidades reais dos seus trabalhadores. Ou seja, é importante desenvolver o olhar integrado em Saúde, em que ações que promovem o bem-estar possuem seus impactos diretos e indiretos na Saúde Mental.

Um exemplo desse movimento é a campanha de cuidado com a saúde mental, que surge no Janeiro Branco e se estende durante toda a atuação do Sesi, na qual a instituição leva para dentro das indústrias um olhar prático sobre saúde mental. Como parte dessa iniciativa, foi lançada a cartilha “Hábitos Saudáveis em Saúde Mental - Psicoeducação em prática”, que reforça como pequenas escolhas cotidianas, como dormir bem, se alimentar melhor, fazer pausas e organizar a rotina, podem fortalecer o bem-estar e contribuir para ambientes de trabalho mais equilibrados.

Bruna Isume, psicóloga do Sesi Paraná, destaca: “na indústria, a rotina costuma ser intensa e exige atenção constante. Por isso, falar de saúde mental é falar também de cuidado possível: pequenas ações, como respeitar pausas, melhorar o sono e reconhecer emoções ao longo do dia, ajudam a reduzir o desgaste emocional. E quando a empresa incentiva esse movimento, ela fortalece não só o trabalhador, mas também o clima organizacional e a produtividade”.

Da prevenção ao cuidado contínuo

Especialistas e organismos internacionais defendem que a promoção da saúde mental no ambiente corporativo deve ser contínua, estruturada e integrada à cultura organizacional. A OMS recomenda que empresas adotem políticas voltadas à prevenção de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT), ao fortalecimento do apoio institucional e à capacitação de lideranças.

Nesse sentido, o RH pode atuar em diferentes frentes, combinando ações preventivas, educativas e de acolhimento. E, para apoiar essa jornada, o Sesi também desenvolve ações e soluções voltadas à saúde do trabalhador, com iniciativas que contribuem para promover bem-estar, prevenção e ambientes organizacionais mais saudáveis.

Caminhos práticos para fomentar a saúde mental nas empresas

Construção de uma cultura organizacional saudável

Criar um ambiente em que a saúde mental possa ser discutida com naturalidade é um passo fundamental. Isso envolve:

  • Estimular o diálogo aberto sobre bem-estar emocional;
  • Combater estigmas associados ao adoecimento mental;
  • Garantir canais seguros e confidenciais de escuta.

2. Capacitação de lideranças

Gestores exercem influência direta sobre o clima organizacional. Investir na formação de lideranças com foco em escuta ativa, empatia e gestão humanizada é essencial para a prevenção do adoecimento mental. Líderes preparados conseguem identificar sinais de sofrimento emocional e encaminhar para serviços especializados de forma responsável e acolhedora.

3. Políticas organizacionais claras e efetivas

O cuidado com a saúde mental também se materializa por meio de políticas institucionais, como:

  • Revisão periódica de cargas de trabalho;
  • Incentivo ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • Políticas firmes de prevenção e combate ao assédio moral e à discriminação;
  • Normas claras sobre respeito, diversidade e inclusão.

4. Acesso a apoio especializado

Oferecer suporte psicológico, por meio de programas de assistência ao trabalhador com profissionais especializados, amplia o acesso ao cuidado e reduz barreiras ao tratamento. O importante é garantir que esse acesso ocorra de forma ética, sigilosa e sem estigmatização.

Além disso, contar com o apoio de instituições como o Sesi Paraná pode contribuir para ampliar o alcance das ações, com soluções voltadas à promoção da saúde e do bem-estar no ambiente de trabalho, fortalecendo a cultura de prevenção dentro das empresas.

5. Monitoramento e avaliação contínua

A efetividade das ações deve ser acompanhada por indicadores claros. Pesquisas de clima organizacional, índices de absenteísmo, rotatividade e feedbacks qualitativos ajudam a identificar avanços, lacunas e oportunidades de melhoria.

Saúde mental como valor estratégico e humano

Ao incorporar a saúde mental como eixo central da gestão de pessoas, as empresas avançam não apenas em responsabilidade social, mas também em competitividade. Ambientes de trabalho saudáveis tendem a ser mais produtivos, inovadores e resilientes.

Em um cenário de transformações aceleradas e crescentes exigências emocionais, cuidar da saúde mental dos colaboradores deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade das organizações. Cabe ao RH liderar esse movimento, transformando o cuidado em prática cotidiana e a escuta em valor institucional.

Para saber como levar essas ações para a sua empresa, procure a unidade Sesi mais próxima e conheça as soluções em saúde mental para a indústria.

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