Qual é o papel estratégico do RH para estimular a saúde mental no trabalho?

O Sesi Paraná apoia indústrias na promoção da saúde e do bem-estar, com soluções que fortalecem a prevenção e o cuidado contínuo no ambiente de trabalho.

30/01/2026 - Atualizado em 29/01/2026

compartilhe

A saúde mental consolidou-se como um dos principais desafios contemporâneos da gestão de pessoas. Longe de se restringir ao campo individual, o tema ocupa hoje posição central nas discussões sobre produtividade, clima organizacional, retenção de talentos e sustentabilidade dos negócios. Dados das Nações Unidas, por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que cerca de 15% da população economicamente ativa no mundo convive com algum transtorno mental, como depressão ou ansiedade, condições que afetam diretamente o desempenho profissional e a qualidade de vida.

Segundo a OMS, depressão e ansiedade são responsáveis pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando um impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão em prejuízos à produtividade global. O cenário reforça a compreensão de que a saúde mental deixou de ser uma pauta acessória para se tornar um tema estratégico, especialmente no ambiente corporativo.

No Brasil, levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), mostram crescimento consistente nos diagnósticos de ansiedade e depressão na população adulta nos últimos anos, com reflexos diretos no mercado de trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, bem como os índices de estresse ocupacional, coloca o tema no centro das responsabilidades das organizações.

RH como agente de transformação organizacional

Nesse contexto, o setor de Recursos Humanos (RH) assume papel decisivo. Mais do que administrar processos, o RH é chamado a atuar como agente estratégico na construção de ambientes de trabalho saudáveis, capazes de prevenir adoecimentos e promover o bem-estar emocional dos colaboradores.

A atuação do RH passa, necessariamente, pelo reconhecimento de que fatores organizacionais (como jornadas excessivas, metas desproporcionais, comunicação ineficaz, assédio moral e falta de reconhecimento) influenciam diretamente a saúde mental. Ignorar esses elementos não apenas fragiliza o trabalhador, como compromete o desempenho coletivo.

Para Tomás Juliano Buschmann, profissional do RH do Sesi Paraná: “promover saúde mental no trabalho não é apenas oferecer apoio quando o problema surge, mas estruturar ambientes que não adoeçam as pessoas.”

Além do papel interno das empresas, o fortalecimento desse cuidado também pode ser impulsionado com apoio de instituições especializadas. No Paraná, o Sesi atua com soluções voltadas à promoção da saúde e do bem-estar do trabalhador, apoiando indústrias na prevenção de riscos psicossociais, na conscientização e na adoção de práticas mais saudáveis no dia a dia.

Um exemplo desse movimento é a campanha de cuidado com a saúde mental, que surge no Janeiro Branco e se estende durante toda a atuação do Sesi, na qual a instituição leva para dentro das indústrias um olhar prático sobre saúde mental. Como parte dessa iniciativa, foi lançada a cartilha “Hábitos Saudáveis em Saúde Mental - Psicoeducação em prática”, que reforça como pequenas escolhas cotidianas, como dormir bem, se alimentar melhor, fazer pausas e organizar a rotina, podem fortalecer o bem-estar e contribuir para ambientes de trabalho mais equilibrados.

Bruna Isume, psicóloga do Sesi Paraná, destaca: “na indústria, a rotina costuma ser intensa e exige atenção constante. Por isso, falar de saúde mental é falar também de cuidado possível: pequenas ações, como respeitar pausas, melhorar o sono e reconhecer emoções ao longo do dia, ajudam a reduzir o desgaste emocional. E quando a empresa incentiva esse movimento, ela fortalece não só o trabalhador, mas também o clima organizacional e a produtividade”.

Da prevenção ao cuidado contínuo

Especialistas e organismos internacionais defendem que a promoção da saúde mental no ambiente corporativo deve ser contínua, estruturada e integrada à cultura organizacional. A OMS recomenda que empresas adotem políticas voltadas à prevenção de riscos psicossociais, ao fortalecimento do apoio institucional e à capacitação de lideranças.

Nesse sentido, o RH pode atuar em diferentes frentes, combinando ações preventivas, educativas e de acolhimento. E, para apoiar essa jornada, o Sesi também desenvolve ações e soluções voltadas à saúde do trabalhador, com iniciativas que contribuem para promover bem-estar, prevenção e ambientes organizacionais mais saudáveis.

Caminhos práticos para fomentar a saúde mental nas empresas

Construção de uma cultura organizacional saudável

Criar um ambiente em que a saúde mental possa ser discutida com naturalidade é um passo fundamental. Isso envolve:

  • Estimular o diálogo aberto sobre bem-estar emocional;
  • Combater estigmas associados ao adoecimento mental;
  • Garantir canais seguros e confidenciais de escuta.

“Ambientes seguros emocionalmente são aqueles em que as pessoas podem expressar ideias e falar sem medo sobre suas dificuldades”, afirma Tomás Juliano Buschmann.

2. Capacitação de lideranças

Gestores exercem influência direta sobre o clima organizacional. Investir na formação de lideranças com foco em escuta ativa, empatia e gestão humanizada é essencial para a prevenção do adoecimento mental. Líderes preparados conseguem identificar sinais de sofrimento emocional e conduzir conversas de forma responsável e acolhedora.

3. Políticas organizacionais claras e efetivas

O cuidado com a saúde mental também se materializa por meio de políticas institucionais, como:

  • Revisão periódica de cargas de trabalho;
  • Incentivo ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • Políticas firmes de prevenção e combate ao assédio moral e à discriminação;
  • Normas claras sobre respeito, diversidade e inclusão.

4. Acesso a apoio especializado

Oferecer suporte psicológico, por meio de programas de assistência ao empregado, convênios ou parcerias com profissionais especializados, amplia o acesso ao cuidado e reduz barreiras ao tratamento. O importante é garantir que esse acesso ocorra de forma ética, sigilosa e sem estigmatização.

Além disso, contar com o apoio de instituições como o Sesi Paraná pode contribuir para ampliar o alcance das ações, com soluções voltadas à promoção da saúde e do bem-estar no ambiente de trabalho, fortalecendo a cultura de prevenção dentro das empresas.

5. Monitoramento e avaliação contínua

A efetividade das ações deve ser acompanhada por indicadores claros. Pesquisas de clima organizacional, índices de absenteísmo, rotatividade e feedbacks qualitativos ajudam a identificar avanços, lacunas e oportunidades de melhoria.

Saúde mental como valor estratégico e humano

Ao incorporar a saúde mental como eixo central da gestão de pessoas, as empresas avançam não apenas em responsabilidade social, mas também em competitividade. Ambientes de trabalho saudáveis tendem a ser mais produtivos, inovadores e resilientes.

Em um cenário de transformações aceleradas e crescentes exigências emocionais, cuidar da saúde mental dos colaboradores deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade das organizações. Cabe ao RH liderar esse movimento, transformando o cuidado em prática cotidiana e a escuta em valor institucional.

Para saber como levar essas ações para a sua empresa, procure a unidade Sesi mais próxima e conheça as soluções em saúde mental para a indústria.

NOTÍCIAS