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Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador reúne indústria paranaense para transformar desafios em soluções estratégicas

Encontro promovido pelo Centro de Inovação do Sesi Paraná definiu prioridades para a saúde e segurança do trabalhador

14/05/2026

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“A inovação começa com a escuta”.

A frase que conduziu o encontro realizado nesta quinta-feira (14), no Campus da Indústria, em Curitiba, sintetizou o espírito de uma manhã marcada por diálogos diretos, percepções compartilhadas e construção coletiva. Promovido pelo Centro de Inovação Sesi Paraná (CIS PR), por meio do Hub de Inovação em Saúde do Trabalhador, o evento “Futuro da Saúde do Trabalhador: Prioridades para a Indústria” reuniu representantes de indústrias e instituições parceiras do Sesi para discutir, de forma prática, os desafios mais urgentes relacionados à saúde, segurança e longevidade produtiva do trabalhador no Paraná.

A programação abriu espaço para um olhar voltado ao futuro. Os convidados acompanharam uma apresentação sobre tendências que já impactam (e devem influenciar ainda mais nos próximos anos) a saúde do trabalhador na indústria. Entre os pontos abordados estiveram longevidade produtiva, autocuidado em saúde, aprendizagem contínua, inteligência de dados e o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial aplicadas à saúde corporativa e longevidade produtiva.

Para o Médico do Trabalho e Coordenador de Saúde do Sesi Paraná, Guilherme Murta, o debate sobre saúde do trabalhador passa, necessariamente, pela capacidade das empresas de anteciparem movimentos e adaptarem suas estratégias.

“A indústria vive uma transformação acelerada, e isso também muda a forma como precisamos enxergar a saúde do trabalhador. Falar sobre prevenção, saúde mental, tecnologia e qualidade de vida hoje é discutir sustentabilidade do negócio, produtividade e futuro”, diz.

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Logo nas primeiras atividades do encontro, os participantes foram convidados a olhar para dentro das próprias realidades industriais. A dinâmica inicial propôs uma escolha difícil: entre 12 temas previamente mapeados, os quais representam hoje as dores mais sensíveis da indústria?

Ao final da priorização, sete temas foram definidos como foco dos grupos de trabalho:

  • Saúde Mental
  • Prevenção de riscos e acidentes de trabalho
  • Gestão de afastamentos e incapacidade
  • Vigilância e gestão de saúde do trabalhador
  • Gestão do plano de saúde corporativo
  • Capacidade para o trabalho
  • Conformidade e gestão normativa

A partir daí, as equipes mergulharam em discussões que passaram por cultura organizacional, liderança, tecnologia, comportamento geracional, prevenção e gestão estratégica da saúde.

Saúde mental ganha protagonismo diante das novas exigências da NR-01

Entre os temas debatidos, a saúde mental apareceu como uma das pautas mais sensíveis e urgentes para a indústria. As discussões envolveram desde a necessidade de metodologias mais confiáveis para avaliação de riscos psicossociais até a construção de medidas preventivas e mecanismos mais eficientes de fiscalização e acompanhamento.

O debate dialoga diretamente com as atualizações da NR-01, que ampliam o olhar sobre os riscos ocupacionais e colocam os fatores psicossociais em evidência dentro das estratégias corporativas de saúde e segurança.

Para Maria Cecília de Oliveira, Médica do Trabalho do Hospital Nossa Senhora das Graças, o momento exige uma mudança de postura das empresas e um olhar mais estratégico sobre o tema: “olhar para a saúde mental hoje é estratégico. A sociedade precisa de caminhos seguros, metodologias confiáveis e parceiros que ajudem a transformar essa discussão em ações práticas. E o Sesi ocupa um papel fundamental nesse processo”.

A construção coletiva também evidenciou a necessidade de criar bases mais padronizadas para atuação nacional, além de fortalecer iniciativas que promovam prevenção contínua e acompanhamento mais próximo dos trabalhadores.

Tecnologia, cultura e liderança no centro das discussões

Os grupos também apontaram desafios ligados à formação de lideranças, engajamento operacional e adaptação das empresas às novas dinâmicas do trabalho.

Na pauta de prevenção de riscos e acidentes, os participantes destacaram a importância de desenvolver uma cultura de segurança compartilhada entre liderança e chão de fábrica, além da utilização de tecnologias capazes de otimizar tempo, recursos e investimentos.

Já nas discussões sobre afastamentos e incapacidade, o foco esteve na prevenção antes da ocorrência do problema. A necessidade de mapear riscos antecipadamente, atuar sobre causas estruturais e utilizar tecnologia como ferramenta estratégica apareceu de forma recorrente entre os participantes.

As mudanças geracionais também entraram no centro do debate. No grupo sobre capacidade para o trabalho, representantes das indústrias apontaram os desafios de integração e permanência das novas gerações no ambiente industrial, reforçando a necessidade de revisão de formatos, comunicação e experiências dentro das empresas.

Escutar para construir soluções

Ao longo das apresentações finais, os participantes votaram nas propostas que mais representam as dores prioritárias da indústria atualmente. A votação não teve como objetivo hierarquizar a relevância dos temas, mas identificar quais demandas exigem atenção mais imediata.

Entre as sete pautas discutidas, os grupos receberam a seguinte quantidade de votos ao final do encontro:

  1. Saúde Mental: 35 votos
  2. Gestão de afastamentos e incapacidade: 12 votos
  3. Prevenção de riscos e acidentes de trabalho: 23 votos
  4. Vigilância e gestão de saúde do trabalhador: 27 votos
  5. Gestão do plano de saúde corporativo: 9 votos
  6. Capacidade para o trabalho: 7 votos
  7. Conformidade e gestão normativa: 3 votos

O resultado revelou diferenças importantes entre as prioridades inicialmente percebidas e aquelas que emergiram após as discussões aprofundadas dos grupos em um movimento que reforçou o propósito do encontro: ampliar perspectivas e construir soluções a partir da escuta coletiva.

Para Robson Gravena, Gerente Executivo de Segurança, Saúde e Responsabilidade Social do Sesi, o encontro reforça o compromisso da instituição em atuar lado a lado com a indústria. “O Sesi existe para ouvir a indústria, compreender suas necessidades e potencializar ações que tragam impacto real para as empresas e para os trabalhadores. Esse processo de escuta é fundamental para construirmos soluções efetivas”.

William Beggiora Teodoro, Coordenador do Centro de Inovação Sesi no Paraná (CIS PR), destacou que as contribuições levantadas durante o encontro servirão como base para os próximos movimentos da instituição.

“A partir dessa escuta, o CIS PR irá consolidar as percepções, dores e prioridades apontadas pela indústria, transformando o conteúdo gerado em insumos estratégicos para a construção da agenda de inovação do setor, com foco em saúde, segurança e longevidade produtiva do trabalhador”.

O que começa agora?

As conversas encerradas ao fim do evento não ficaram apenas nas mesas de discussão.

As dores mapeadas, os caminhos sugeridos e as prioridades identificadas ao longo do encontro devem ganhar novos desdobramentos nos próximos meses. Com base nas contribuições levantadas durante a programação, o Sesi já articula uma chamada de inovação prevista para agosto, voltada ao desenvolvimento de soluções práticas e direcionadas às demandas mais urgentes da indústria paranaense.

A proposta ainda está em construção. Mas, entre as discussões da manhã e os corredores do Campus da Indústria, uma percepção já circulava entre os participantes: algumas transformações importantes para o futuro da saúde do trabalhador começaram ali.

Para Veríssimo Lopes, da Denso do Brasil, iniciativas como essa fortalecem a relação de confiança entre indústria e Sesi.

“Existe uma confiança muito grande no trabalho do SESI porque ele consegue entender a realidade da indústria e transformar isso em iniciativas práticas. Quando há escuta verdadeira, as soluções chegam de forma muito mais assertiva”, afirma.

Porque, quando a indústria encontra espaço para ser ouvida, a inovação deixa de ser apenas uma ideia e começa a ganhar forma nas soluções que podem transformar o futuro da segurança e saúde do trabalho.

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