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Vencedores da etapa regional da FLL fazem projetos com foco nas pessoas com deficiência visual

A etapa regional da First Lego League aconteceu na primeira semana de maio. Equipes foram classificadas para a etapa nacional, que está prevista para o final de junho

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Na última semana aconteceu a etapa regional da First Lego League (FLL), maior torneio de robótica do Brasil. Nesta edição, além das batalhas de robôs, estudantes desenvolveram projetos para incentivar a prática de atividades físicas para garantir uma qualidade de vida melhor, evitar o sedentarismo e promover a saúde. Foi com estes projetos e com seus robôs que as equipes paranaenses Destroyers (do Colégio Sesi União da Vitória), Doctors Machines (do Col. Estadual Padre Cláudio Morelli, de Curitiba) e Rayzer (do Colégio Sesi Londrina) conquistaram o pódio do Prêmio Champion’s Award e foram classificadas para a etapa nacional, que está prevista para o final de junho.

Este ano o evento aconteceu de forma virtual. Os estudantes enviaram vídeos das suas batalhas de robôs e apresentaram seus projetos remotamente. Nem por isso a ansiedade deixou de bater. “O nervosismo não mudou nada, a ansiedade no dia anterior da prova, a garganta seca na hora de apresentar o Projeto de Inovação, o coração acelerado nos rounds oficiais, a inquietação na apresentação de Design do Robô e a tremedeira na hora da premiação foi igualmente grande e marcante!”, conta Sabrina Pedroso Bordinhão, aluna do 3º ano do Ensino Médio e uma das participantes do time Destroyers, que conquistou o primeiro lugar.

Para o projeto de inovação, a equipe Destroyers desenvolveu um projeto com foco nas pessoas com deficiência visual. “Em nossas pesquisas, vimos que a maioria das academias exigem um personal trainer para os alunos com deficiência visual, assim muitos desistem pela condição financeira. Então, desenvolvemos o Guided Exercise, uma forma de exercício guiado. Funciona como um auxiliar digital para o deficiente visual e seu sistema é todo por comando de voz. A ideia é que nosso aplicativo forneça o mapeamento do local da academia, uma explicação detalhada, alerta de ajuda, palavras chaves para execução de determinadas funções (como por exemplo ‘iniciar treino’). Além de um sistema para quem quiser treinar em casa”, conta Lara Cristiny da Silva, outra participante do time. O plano, agora, é fazer a implementação do projeto em algumas academias e realizar simulações com usuários.

O segundo lugar do Champion’s Award, o time Doctors Machines, também escolheu um projeto envolvendo pessoas com deficiência visual. “Após diversas pesquisas, descobrimos que a bengala, utilizada por esse grupo de pessoas, apenas protege da cintura para baixo do indivíduo, deixando a cabeça totalmente desprotegida. Em decorrência a isso, as pessoas podem sofrem batidas e machucados, se tornando mais reclusos e sedentários. Assim, estamos desenvolvendo o DM Vision, um aparelho com sensores capazes de identificar objetos que enviará um sinal de vibração ao cego. No momento, o aparelho está sendo acoplado à uma faixa de cabeça. Esse aparelho seria um complemento à bengala”, conta Eloyse de Araújo Borguezani, estudante do segundo ano do Ensino Médio.

O time também sentiu a diferença de um evento online, mas conseguiu aproveitar: “A participação na FLL neste ano foi algo bem diferente de outras temporadas em decorrência à pandemia. Foi tudo feito via aplicativo e não tivemos aquele contato humano que teríamos no presencial. Mas foi muito interessante participar de um campeonato assim, cada nova descoberta era um conhecimento a mais, tanto na questão de mexer na construção e programação do robô quanto na pesquisa de inovação”, compartilha Eloyse.

Já Isadora Mendonça Dmitruk, do 3° ano do Ensino Médio do Colégio Sesi Londrina faz parte da equipe Rayzer. “Receber o pódio e sermos classificados para a etapa nacional foi surreal. Eu achei que, por ser online, eu não ficaria tão ansiosa, mas a emoção foi tão forte quanto pessoalmente e foi uma experiência muito legal”, conta. A equipe desenvolveu um aplicativo que dá match entre pessoas que praticam os mesmos esportes, nos mesmos horários. Assim, as pessoas se exercitam juntas, se motivam e ainda contam com um sistema gamificado de metas e recompensas.

Para a aluna, uma das grandes expectativas para a edição nacional é a troca de conhecimento. “Eu espero acompanhar os trabalhos de equipes diferentes, ter contato com pessoas do país todo e aprimorar o nosso trabalho pra ter uma boa experiência no torneio”, afirma.

Sobre a FLL

Além do projeto de inovação, no Desafio do Robô as equipes colocam seus robôs para realizar 14 missões específicas, tais como: capturar, transportar, ativar ou entregar objetos em um tapete oficial da competição. Também são avaliados o design do robô e os Core Values.

“O torneio de robótica é um programa internacional que desafia os estudantes a buscarem soluções para problemas do dia-a-dia da sociedade. Aplicando conceitos de STEM (Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics) na criação de projetos de inovação, os alunos constroem e programam robôs e colocam eles para completar missões, aprendendo enquanto se divertem. Além disso, procuramos desenvolver habilidades comportamentais, como o trabalho em equipe, colaboração, resolução de problemas e fomentar o trabalho colaborativo. Esse programa propõe aos alunos a tarefa de inventar soluções para problemas reais e permite que os jovens vivenciem um processo criativo no qual eles estão na liderança”, conta Giovana Punhagui, gerente executiva de Educação do Sistema Fiep.

As equipes classificadas garantiram vaga para o Festival Sesi de Robótica, que também será 100% online e está previsto para o final de junho.