Programa de Formação com Certificação Internacional de Competências em Ergonomia para a Indústria
Opinião de Sérgio Silveira de Barros
Auditor Fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego – Paraná.
O Curso de Certificação Internacional de Competência em Ergonomia para a Indústria é, certamente, hoje, no Brasil, uma iniciativa inédita na área de segurança e saúde ocupacional.
Os esforços do Sesi e Senai, da Unindus, do CNAM-França e UFRJ para formar ergonomistas de alto nível e implantar um Centro de Excelência em Ergonomia, que atenda as empresas brasileiras, demonstra o avanço significativo nas formas de produção e adequação dos postos de trabalho, que promovam a qualidade de vida e a modernização das empresas.
Esta oportunidade nos permite compreender novos enfoques nas relações de produção, agregando à formação profissional dos participantes a experiência de professores-ergonomistras de qualidade internacional.
Opinião de Rosana Fernandes
Enfermeira - Petrobras
A iniciativa do Sesi e do Senai Paraná, de promover uma formação em Competência em Ergonomia na Indústria, com o CNAM, significa uma avanço importante para a Ergonomia no Brasil...
Considerando a larga experiência e valores adquiridos pelo CNAM, através das diversas capacitações desenvolvidas, pesquisas e seus resultados práticos, as indústrias brasileiras poderão contar com um novo grupo de profissionais, altamente capacitados para contribuir com a qualidade do trabalho, beneficiando as empresas e seus empregados.
A criação da Rede de Excelência em Ergonomia também abrirá uma nova perspectiva para aproximar as empresas participantes, facilitando e enriquecendo a troca e divulgação das práticas desenvolvidas, o que poderá no futuro estimular o interesse de outras empresas e instituições a se inserirem nesta rede, propagando de forma crescente a cultura de ergonomia no País.
Detalhes do Programa
O Programa de Formação com Certificação Internacional de Competências em Ergonomia para a Indústria é uma iniciativa pioneira no País, desenvolvida pelo Sesi e o Senai do Paraná, em parceria com o Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM), da França, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O CNAM é um centro de excelência mundialmente reconhecido em Ergonomia e esse é o primeiro programa de formação que a entidade ministra na América Latina. Estão participando cerca de 30 profissionais Sesi e do Senai do Paraná, do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás e Bahia, da Fundacentro, da Superintendência Regional do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho e das empresas Volvo, Correios, Petrobras e Spaipa.
O objetivo é formar uma rede de excelência em ergonomia, para disseminar conhecimentos sobre o tema e apoiar as indústrias em programas nesta área - que trata da qualidade de vida no ambiente de trabalho, através da redução de riscos que podem levar o trabalhador a desenvolver doenças ocupacionais.
Para o diretor-superintendente do Sesi Paraná, José Antonio Fares, a formação de uma rede de competências em ergonomia é uma solução inteligente para uma das questões mais importantes no dia a dia das empresas. “A solução é inteligente porque reunimos parceiros de reconhecida competência nesta área. Queremos formar profissionais que tratem a ergonomia com a seriedade que a área merece, com foco na educação para a prevenção”, afirmou ele, na solenidade de abertura oficial do programa.
O diretor regional do Senai Paraná, João Barreto Lopes, disse o programa é um marco nas iniciativas do Sistema Fiep. “O Senai tem atuado fortemente na questão da prevenção, não só através dos serviços técnicos e tecnológicos ofertados às empresas, mas, sobretudo, através da conscientização dos profissionais das indústrias”, disse ele.
Entrevista de Pierre Falzon para a Revista SAUT
de São Paulo
Alguns autores consideram a ergonomia uma ciência, outros a enquadram como tecnologia e há os que a vêem como uma arte. Qual a opinião do senhor a este respeito?
Pierre Falzon – A ergonomia é uma disciplina de gestão. Como todas as disciplinas de gestão envolve conhecimento, ciência de base (como a fisiologia e a psicologia, por exemplo) e um conjunto de métodos. Esses métodos são de dois tipos: de análise e intervenção nas empresas (análise e transformação do trabalho) e de participação em projetos de concepção (avaliação de sistemas, prototipagem e de participação dos utilizadores da concepção).
Como o senhor avalia a aplicação da ergonomia na França e no resto do mundo?
A ergonomia foi construída com dois paradigmas: norte-americano e europeu. Esses dois paradigmas convergiram mas ainda há traços característicos de cada um deles. O norte-americano foi desenvolvido essencialmente nos laboratórios universitário e do Exército e tiveram por objetivo construir conhecimentos gerais do homem fora dos contextos particulares. Por exemplo, quais são as capacidades intencionais do ser humano. Já a ergonomia na Europa foi mais desenvolvida sobre a base da análise do trabalho na situação propriamente dita. Então, tem todo um conjunto de conhecimentos e métodos que foram bastante desenvolvidos na Europa. Esses dois pontos de vista hoje convergem. O Brasil está em uma situação bastante particular nesse ponto de vista porque sofreu historicamente influências muito fortes dos dois lados, tanto da América do Norte quanto da Europa, mais particularmente da França.
Hoje, de maneira geral, as empresas valorizam mais a ergonomia?
Existem dois aspectos nessa questão. Uma das razões do interesse das empresas é que tem todo um conjunto de regras jurídicas que as obrigam a levar em conta alguns esse tipo de aprendizado porque a aposta da ergonomia é que podemos procurar aspectos ligados ao trabalho humano. Mas a ergonomia não pode se contentar com simultaneamente o bem-estar dos trabalhadores e a performance das organizações. Esta vontade de perseguir esses dois objetivos traz algumas formas diferentes já há alguns anos mais notadamente no fato da maior necessidade das empresas de terem operadores competentes e autônomos. Então, a performance individual, que é uma necessidade para a empresa, pode ser vista também como uma contribuição para a saúde cognitiva dos trabalhadores.
Quando se fala em ergonomia, muitos ainda a associam apenas ao mobiliário adequado. O que realmente abrange a ergonomia, o que deve ser feito para mudar essa visão?
Primeiramente, isso é verdade. O real problema para a ergonomia é que está muito associada às formas das cadeiras e altura das mesas. Então, há uma real necessidade por parte dos ergonomistas de conhecerem melhor a ergonomia, em primeiro lugar, e ter uma visão normativa da ergonomia. Claro que existem normas mas a concepção das organizações, do sistema de trabalho e das interfaces não é uma questão de norma. É uma questão de compreensão do trabalho que permite em seguida uma melhor concepção do sistema melhor adaptado.
Na opinião do senhor, os trabalhadores devem participar do levantamento de riscos para adequação dos postos de trabalho? De que forma?
De maneira mais geral, a grande maioria dos ergonomistas defende uma forma participativa no trabalho. Essa forma participativa pode tocar vários aspectos. Hoje os riscos não envolvem somente os trabalhadores; existem riscos para as instalações, para o público do entorno da empresa e para a sociedade de maneira geral. Um exemplo bastante sensível na França. A energia elétrica na França é gerada em usinas nucleares. Quando acontecer um acidente grave em uma central nuclear da França, será inaceitável para o País depender somente da energia nuclear. Isso cria um choque econômico enorme. Então, trabalhar na prevenção dos riscos, na segurança e na confiabilidade dos sistemas é trabalhar não somente para a saúde dos trabalhadores mas para a segurança das instalações e para o País.
Há atividades econômicas em que a ergonomia é mais difícil de ser aplicada? Quais seriam e por quê?
Em alguns países, entre eles a França – acho que não seja atualmente o caso do Brasil mas se não for, vai acontecer rapidamente com o Brasil, a atividade econômica é cada vez menos industrial. É cada vez mais uma atividade de serviço. A economia de serviço é fundamentalmente a interação entre um profissional e alguém que não é profissional. O empregado do banco, a enfermeira, o advogado, etc, são profissionais que trabalham com não-profissionais. Faltam na ergonomia hoje ferramentas e métodos para tratar corretamente essa situação. Nesse caso, não podemos compreender que essa situação interessa somente para o trabalhador. É preciso levar em conta o trabalhador e a pessoa porque é através da interação entre eles que virá a produção. Eles precisam colaborar entre eles. É difícil formar, por exemplo, não-profissionais. Isso traz questões diferentes.
No Brasil, a ergonomia foi muito difundida para combater as Lesões por Esforços Repetitivos (LER). A prevenção das LER está intimamente ligada a uma adequada organização dos ambientes de trabalho?
Há dois aspectos da LER. Um aspecto biomecânico é o fato de estar de maneira repetitiva efetuando certos gestos. A questão supõe uma enorme variedade de situações de trabalho. Não somente o trabalho industrial. Há um outro aspecto ligado ao estresse. A LER acontece muitas vezes da presença simultânea de atividades repetitivas e situações de pressão na produção – não só temporal. Isso que gera também esse tipo de problema. Para lutar contra a LER tem uma parte que pode ser ligada à diversidade do trabalho, lutar contra o trabalho repetitivo mas também tem coisas que são ligadas ao ambiente do trabalho de forma geral. A forma de gestão, de management. Então, é preciso tratar do problema de maneira geral.
Aqui no Brasil utiliza-se muito a ginástica laboral como prevenção às LER. Qual a opinião do senhor sobre o assunto?
No meu ponto de vista, o ergonomista não é um terapeuta de pessoas mas um terapeuta das organizações. Então, compreendo que poderíamos propor a ginástica no trabalho a título terapêutico mas não pode ser uma solução durável. A solução é transfomar o trabalho.
Atualmente, quais são as principais abordagens da ergonomia com vistas à qualidade de vida no ambiente de trabalho?
O trabalho tem ao menos duas visões para as pessoas: ganhar a vida e serve também para ter uma atividade social, uma utilidade para a sociedade. O bem-estar no trabalho não pode ser somente ter condições físicas de trabalho que satisfaçam. É também o fato de poder se desenvolver no trabalho; poder aprender; ser reconhecido pelos colegas. Então, um trabalho que satisfaça é o que tem também todas essas características embutidas. O ponto de vista que eu defendo hoje é que satisfazer esses objetivos não resulta só de uma vontade positiva por parte da empresa em relação aos trabalhadores mas é uma necessidade para a própria empresa; para que os trabalhadores fiquem na empresa, construam competências na empresa, coloquem essas competências a serviço da organização. Uma das idéias mais recentes sobre a ergonomia é que normalmente a gente tem a impressão que as empresas impedem as pessoas de chegar a um nível de qualidade que desejam atingir. Por exemplo, você considera que está em condições que satisfaçam para o seu trabalho? Você tem a impressão de que tem o tempo suficiente para fazer o que você quer fazer? Para atingir o nível de qualidade que você deseja atingir? Eu chamo isso de atividade impedida. Isso é uma geradora de estresse e contribui para o aumento da LER.
Qual o papel da ergonomia para a prevenção das doenças ocupacionais?
A ergonomia não está sozinha nessa questão. Os médicos do trabalho e, de uma forma geral, os profissionais que trabalham com a área de saúde no trabalho contribuem e devem contribuir também. Ressaltando que é importante que os ergonomistas se diferenciem claramente dessas profissões, que são bastante respeitadas evidentemente. É preciso focar os aspectos da saúde. Se o ergonomista é identificado somente por esses aspectos e não é visto também como um profissional que contribui para a empresa, na minha opinião, ele não está em uma boa posição para interagir e é visto como mais um, como uma pessoa que está lá e não como um fator de progresso.
O senhor conhece o Método Ocra, método de avaliação de risco ergonômico italiano? Qual a sua opinião a respeito?
Sim, conheço. Mas não gostaria de responder diretamente a essa questão porque tem uma variedade de métodos que existe e não somente esse. Não me considero um especialista nesse método para responder a essa questão.
Gostaria que o senhor falasse um pouco do Conservatório Nacional de Arte e Ofícios (CNAM) e das atividades desenvolvidas pelo Laboratório de Ergonomia:
O CNAM é um estabelecimento de ensino superior que foi criado na Revolução Francesa com a idéia que o progresso passava pela difusão das ciências chamadas novas e úteis. Com o tempo, o CNAM acabou se transformando uma instituição de formação profissional – tem uma grande proximidade com o que o Senai faz – dos adultos. Não tem muitos estudantes jovens. São adultos que vão conquistar um diploma de nível superior ou de competências adicionais. Existe uma enorme variedade de áreas. Atualmente, são 80.000 estudantes do CNAM na França hoje em quatro grandes setores: Informática, Técnica Industrial, Economia e Gestão e Trabalho e Sociedade. A ergonomia se insere no setor de Trabalho e Sociedade. A ergonomia nasceu no CNAM após uma revolução ocorrida no começo do século 20 dos ensinadores de fisiologia do trabalho. Esses ensinamentos acabaram evoluindo para a ergonomia e não somente para a fisiologia. Então, com muita psicologia e metodologia também. Hoje para se chegar a um laboratório...A gente se interessa sobretudo em duas grandes áreas. A metodologia de concepção de sistemas técnicos e também as metodologias que trazem os utilizadores humanos, esse é o primeiro tema. O segundo tema que está sendo cada vez mais importante é a segurança no hospitais, a segurança dos pacientes. Então, temos trabalhos sobre radioterapia, anestesia, circuito de medicamentos... Hoje começamos a desenvolver também trabalhos sobre a participação dos pacientes na sua própria segurança.
Sobre o curso de Formação Sesi/Senai: Aliar prática à teoria. Esse é o caminho?
Com certeza. Para ter uma idéia, mais da metade da formação que é dada pelo CNAM em ergonomia são ensinamentos de métodos. Desses ensinamentos de métodos, mais ou menos a metade é ligada sobre situações reais. Não podemos nos contentar apenas com as informações que aprendemos em livro.
O economista José Pastore aponta que doenças ocupacionais geram um prejuízo para o Brasil de R$ 30 bilhões por ano. O senhor tem informação de qual é o custo mundial? O investimento em ergonomia gera retorno de produtividade? Esse é um bom argumento para convencer as empresas a implementar programas de ergonomia?
Primeiro, em nível mundial o custo é enorme. Ele não é medido em todo lugar porque para medir esse custo o País tem que estar em um nível de desenvolvimento avançado. Então, há medidas em países desenvolvidos do que em fase de desenvolvimento. Um exemplo que podemos pegar é dos EUA. Tem bastante problema de LER lá. As empresas têm que pagar as seguradoras de segurança do trabalho. O custo dessas seguradoras aumentaram consideravelmente e em paralelo com o aumento das doenças da LER. Então, há uma necessidade econômica das empresas de lutar contra a LER. Na França, não estamos nessa situação. Temos uma taxa de LER relativamente importante mas não temos esse sistema de seguro pago pela empresa, o que acaba fazendo com que o custo não é a empresa que suporta, é a sociedade. Então, faltam incentivos para que as empresas melhorem essa situação. Então é claro, através de um exemplo como esse, que o sistema jurídico pesa sobre a economia e leva as empresas a agir contra a LER.
Gostaria de informações sobre o curso. Ainda existe? Qual a data de matrículas?
Meu filho é estudante de ergonomia. Conversamos muito a respeito. Gostaria de obter informaçoes sobre o curso de certificaçao internacional de ergonomia.
Gostaria de obter mais informações em relação a Certificação Internacional em Ergonomia. Sou especialista em Ergonomia pela Universidade Gama Filho e gostaria de continuar estudando. Desde já agradeço.
Fiz a minha especialização em Ergonomia na Escola de Engenharia da UFMG e atualmente presto serviço em duas indústrias (setor Automotivo e Alimenticio). Gostaria muito de obter mais informações em relação a Certificação Internacional em Ergonomia para dar continuidade aos meus estudos. Desde já agradeço.
olá, sou um estudioso em ergonomia e através desses conhecimentos científicos estou fazendo um trabalho ergonômico em um hospital,gostei muito das perguntas aqui relacionadas e gostaria de saber como faço para entrar em contato com um ergonomista responsável pelo sesi ,senai em minias gerais, obrigado .
Prezados Srs., Gostaria de obter mais informações sobre novas turma do Curso de Certificação Internacional de Competência em Ergonomia, bem como da possibilidade de poder participar da apresentação dos trabalhos nessa instituição durante o mês de dezembro próximo. Gostaria de ser informado da data correta. Tive a oportunidade de conversar com M. Tahar-Hakim durante Congresso de SMS da PETROBRAS neste mês (novembro) e este me deixou bem impressionado sobre esse curso. Grato pelas informações. Antonio R. Lauzana.
GOSTARIA DE OBTER MEIS INFORMAÇOES SOBRE A CERTIFICAÇAO INTERNACIOAL DE COMPETENCIA EM ERGONOMIA.
li e gostei bastante das perguntas e reposta sabemos que a ergonomia em uma empresa e muito importante
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