A PERCEPÇÃO DO RISCO É FUNDAMENTAL PARA A REDUÇÃO DE ACIDENTES
Luciano Nadolny*
O Programa Sesi/Senai de Redução de Acidentes de Trabalho foi concebido para resolver um dos maiores problemas
que o trabalhador paranaense, assim como os de todo o Brasil, enfrenta: o acidente de trabalho. Como contribuição
para a solução deste problema, analisamos uma das variáveis fundamentais inseridas no acidente de trabalho,
que é a percepção do risco ao qual o trabalhador está exposto. Complexo, ele pode e deve responder
algumas de nossas indagações sobre o porquê dos altos índices de acidentes no trabalho. Mas não
apenas ele, em si, é o responsável.
Percepção de Risco nada mais é que a capacidade de conhecer e administrar os perigos a que uma pessoa
está exposta no seu local de trabalho (não só na empresa, na escola, no trajeto para a empresa, etc.).
Por exemplo, se um trabalhador manuseia uma máquina de prensagem de aço, ele deve saber quais são os
movimentos que podem causar um acidente, quais são as possibilidades de algo dar errado e machucá-lo. A relação
entre o homem e o perigo é que define o risco. Só poderemos ter risco zero assim que eliminarmos e/ou controlarmos
o perigo.
Existem outros fatores ?invisíveis? que influenciam e afetam a percepção de risco dos colaboradores,
como por exemplo, a participação da chefia imediata e dos colegas de trabalho, a maneira como eles ?enxergam?
e agem com relação aos procedimentos de segurança. Outros fatores envolvidos são as políticas
internas da empresa (cultura e clima de segurança, a segurança é prioridade, valor ou apenas um verbete
utilizado nas paredes?) e envolvimento da alta direção nos processos de segurança.
O PRAT tem como premissa uma intervenção sistêmica dentro da empresa, apoiada em cinco pilares: a Segurança
do Trabalho, a Medicina, a Ergonomia, a Proteção de Máquinas e Equipamentos e a Psicologia Aplicada à
Segurança do Trabalho. O projeto está sendo aplicado de forma piloto, em parceria com o Sindimetal, em seis
empresas, atendendo quase mil funcionários do setor.
A disseminação do conceito de comportamento seguro deve ser um dos pilares de nossa intervenção
nas empresas, ou seja, devemos incentivar o profissional a identificar e controlar os riscos, dando condições
para que o empregado tenha condições de analisar e controlar os perigos que envolvem o seu trabalho, e até
mesmo novos métodos de trabalho e procedimento.
Outro ponto que deve ser analisado é o processo de educação e treinamento dentro das empresas (treinamento
de integração, treinamentos de segurança, diálogos diários e semanais de segurança
e atenção especial às rotinas da CIPA), visando à diminuição dos comportamentos
inseguros.
Isso será feito através da analise do processo de ensino-aprendizado utilizado nas empresas para a transmissão
e assimilação dos conceitos de segurança. Esses processos estão realmente ensinando ou sendo apenas
meros transmissores de informação? Qual a capacitação dos instrutores de segurança e qual
a abrangência dos conteúdos? Os funcionários têm recebido treinamentos com enfoque prevencionista?
Há avaliação do conteúdo assimilado pelos funcionários? O que é proposto é
realmente transmitido? Em que momento esses treinamentos são importantes? Na contratação ou após
algum tempo de empresa? Qual a periodicidade dos treinamentos?As respostas a estas indagações nos ajudarão
na elaboração de um modelo de intervenção.
Se pretendermos prevenir a ocorrência de acidentes, bem como diminuir sua gravidade, devemos salientar a importância
de que as pessoas saibam, conheçam e controlem aquilo que lhes pode causar algum problema (os perigos e os riscos)
para que possam ter repertório suficiente para trabalhar de uma forma segura e sem prejuízo à saúde.
*Luciano Nadolny é psicólogo formado pela Universidade Federal do Paraná, funcionário do SESI
Paraná e consultor no Programa Sesi/Senai de Redução de Acidentes do Trabalho - PRAT.