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3. Mesa Redonda

A Visão do Diretor sobre a Nova Dramaturgia 30/04/09

A Perspectiva Brasileira e a Britânica

Com as diretoras ROXANA SILBERT e TESSA WALKER da companhia britânica de teatro PAINES PLOUGH, e com os diretores Roberto Alvim e Aderbal Freire-Filho. Tradução consecutiva Margie Rauen.

Dia 30 de abril às 19h30 no Teatro José Maria Santos, entrada gratuita.

 BRASIL VIVE MOMENTO RICO EM DRAMATURGIA

diz o autor Roberto Alvim 

 O panorama brasileiro foi um dos assuntos tratados no encontro promovido pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná

clique para ampliar O brasileiro Roberto Alvim; Roxane Silbert; a professora de dramaturgia Margarida Gandara Rauen (que fez a tradução) e Tessa Walker. (Foto: Rogério Theodorovic)

            O Brasil vive um momento muito rico na sua dramaturgia, com o surgimento de novos autores, todos muito produtivos e com diferentes características e visão de mundo. O panorama, bastante promissor, foi traçado pelo dramaturgo Roberto Alvim, no encontro, em Curitiba, com as diretoras Roxana Silbert e Tessa Walker, ambas da Paines Plough, uma das mais importantes companhias de teatro da Inglaterra.

O debate, que lotou o Teatro José Maria Santos, foi promovido pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná, na noite de quinta-feira (30). No bate-papo com o público, Roberto Alvim disse que em apenas oito ou nove anos configurou-se em centros como o Rio e São Paulo verdadeiros núcleos de novos autores de teatro. “A  maioria deles com características marcantes, que conquista público e crítica”, disse Alvim, ele próprio fruto dessa geração.

Entre outros nomes estão Pedro Brício, Daniela de Carvalho e Daniel Tendler, do Rio de Janeiro, os paulistas Silvia Gomes e Paulo Santoro, a mineira Grace Passo, os paranaenses Luiz Felipe Leprevot, Alexandre França e Marco Damasceno – que é o coordenador do Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná.

Formação de novos autores – Embora  aberto ao público geral, o encontro direcionou-se particularmente aos novos autores que estão sendo formados pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná. Criado neste ano, o Núcleo trabalha a primeira turma.  A principal atividade de formação é a oficina ministrada por Roberto Alvim, que começou em abril e se estenderá até dezembro.

O Núcleo de Dramaturgia faz parte das ações do Sesi Paraná para abrir aos trabalhadores das indústrias e à comunidade o acesso a conhecimento e bens culturais. O Núcleo tem a parceria do Centro Cultural Teatro Guaira e o apoio do Sindicato das Indústrias Audiovisual do Paraná.

O projeto é inspirado no Núcleo de Dramaturgia Sesi São Paulo - British Council, criado em 2007. O Conselho Britânico presta apoio cultural trazendo para Curitiba os autores e diretores que vêm participar das atividades de São Paulo. 

Diálogo e leitura - Segundo Alvim, a formação se dá menos pelo conteúdo técnico e muito mais pelo diálogo que se estabelece entre os participantes e pela oportunidade que o novo autor tem para expor sua criação, fazer leitura dramática, receber crítica. ”É uma troca”, disse ele.

Na Inglaterra, os autores têm na Paines Plough a garantia da leitura de textos. Segundo Tessa Walker, a companhia lê todos os textos que lhes são enviados, antes de uma seleção. “São quase 500 por ano”, disse ela.  “O que procuramos fazer é com que um bom jovem dramaturgo se torne excelente. Buscamos o diretor e o elenco mais adequados possível ao texto”, explicou Roxana.

Com mais de 30 anos de existência, a Plaines Plough foi a companhia inglesa responsável pelo lançamento de alguns dos mais importantes dramaturgos da história, incluindo Sarah Kane, Mark Ravenhill e Dennis Kelly. Segundo suas diretoras, a companhia não procura temas específicos, mas autores que tenham relações mais específicas com o mundo.  

Paines Plough Theatre Company
A Paines Plough é uma das mais importantes companhias de teatro britânicas, com mais de 32 anos de existência. Tem como meta principal comissionar e produzir nacional e internacionalmente novas peças teatrais. A Paines Plough foi responsável pelo lançamento de alguns dos mais importantes dramaturgos da história, incluindo Sarah Kane, Mark Ravenhill e Dennis Kelly.

Roxana Silbert
Roxana é diretora artística da Paines Plough Theatre Company desde 2005 e diretora associada da Royal Shakespeare Company. Além de dirigir peças teatrais inéditas, é produtora das temporadas no Oram Mor e Shunt Vaults, LATER no Trafalgar Studios e vencedora do ciclo Ravenhill for Breakfast do Traverse Theatre, realizado no Festival de Edimburgo de 2008.

Tessa Walker
Entre 2001 e 2003, Tessa atuou como diretora associada do Soho Theatre e atualmente é a diretora literária da Paines Plough Theatre Company. Seu currículo inclui variadas obras, como: Black Crows de Linda Brogan (Clean Break Theatre), Orange de Alan Harris (Script Cymru), Fish and Co. de Samuel Adamson (NYT at Soho Theatre), entre outras.

Roberto Alvim

Além de autor teatral, é também diretor, ator e foi Professor de História do Teatro e Literatura Dramática no Curso Profissionalizante da CAL (RJ) de 2000 a 2004; também lecionou Dramaturgia na Universidade de Córdoba (Argentina) em 2005, além de ministrar Oficinas para novos dramaturgos em diversos Estados do Brasil (Acre, Ceará, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, a convite de Festivais e do Ministério da Cultura - FUNARTE). Autor de 16 peças, encenadas no Rio de Janeiro, São Paulo, França (Paris), Argentina (Córdoba) e Suíça (Lausanne). Sua obra já foi traduzida para o italiano, francês, espanhol e grego, e há publicações teóricas sobre o seu trabalho no Brasil, Argentina, Espanha e França. Em 2005 exerceu a função de Diretor Artístico do Teatro Ziembinski (RJ), onde coordenou o Centro de Referência da Dramaturgia Contemporânea, com o patrocínio da Prefeitura do Rio. Em janeiro de 2006, mudou-se para a cidade de São Paulo, onde fundou com a atriz Juliana Galdino a companhia CLUB NOIR, dedicada exclusivamente à montagem de dramaturgia contemporânea. A companhia encenou até o momento três espetáculos: ANÁTEMA (monólogo de sua autoria, interpretado pela atriz Juliana Galdino); HOMEM SEM RUMO, indicado ao Prêmio SHELL 2008 (SP) de MELHOR DIREÇÃO e MELHOR ILUMINAÇÃO (ambas as indicações para Roberto Alvim), e para o PRÊMIO BRAVO! de Melhor Espetáculo Teatral do ano; e O QUARTO, primeira peça do dramaturgo inglês Harold Pinter, com tradução e direção de Roberto Alvim. Foi o primeiro dramaturgo brasileiro publicado na mais importante coleção de dramaturgia contemporânea européia, a Les Solitaires Intempestifs, em 2005, com sua peça ÀS VEZES É PRECISO USAR UM PUNHAL PARA ATRAVESSAR O CAMINHO, também traduzida para o espanhol e publicada na Espanha e na Argentina. Seus últimos trabalhos no Rio foram Pelecarnesangueossos; Todas as Paisagens Possíveis, Qualquer Espécie de Salvação, Às Vezes É Preciso Usar um Punhal para Atravessar o Caminho e Mundo Pânico. Ministra a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia Sesi Paraná

Aderbal Freire-Filho
Aderbal Freire Filho criou a maioria dos espetáculos na cidade do Rio de Janeiro a partir de 1972. Também encenou espetáculos fora do Brasil em Buenos Aires, Amsterdã e Madri. Em Montevidéu, Aderbal dirigiu a Comédia Nacional Del Uruguay e a Institución Teatral El Galpón. Ganhou os prêmios Moliére, Golfinho de Ouro, Mambembe, Florêncio (Uruguai) e os prêmios Shell por sua direção de A Prova e O Que Diz Molero. À frente do Centro de Construção e Destruição do Espetáculo dirigiu A Mulher Carioca aos 22 Anos, Lampião, Rei Diabo do Brasil, O Tiro que Mudou a História, Turandot, ou O Congresso de Intelectuais, Senhora dos Afogados, No Verão de 1966 e Luzes da Boemia. Assinou também a direção de Mão na Luva, As I Like It, Reveillon, Casa de Boneca, Cão Coisa e a Coisa e o Homem, A Prova, A Peça sobre o Bebê, Tio Vânia, O Que Diz Molero, Dilúvio em Tempos de Seca e Púlcaro Búlgaro. Recentemente, Aderbal dirigiu Wagner Moura na bem-sucedida versão de Hamlet, de Shakespeare
e As Centenárias, de Newton Moreno, com Marieta Severo e Andrea Beltrão.

Margarida Gandara Rauen

Desenvolvendo trabalhos de crítica, dramaturgia, roteiros e direção cênica. Doutora em Dramaturgia e Encenação (Ph. D. English - Michigan State University, 1987), realizou três pós-doutorados como Fellow do Folger Institute (Washington, D.C., 1993, 1998 e 2002). Graduada em Letras Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1978), com mestrado / Master Of Arts na Michigan State University (1985). É professora adjunto da Universidade Estadual do Centro-Oeste desde 1994, atualmente no Depto. de Artes, professor adjunto da Faculdade de Artes do Paraná desde 1995 (Depto. de Teatro). Tem experiência na área de Artes, destacando-se a sua pesquisa sobre processos de criação e estudos da mulher, com artigos e capítulos de livros publicados no Brasil, nos Estados Unidos e no Reino Unido, além de outras publicações em forma de livro e editoração. É membro fundador do GT de Dramaturgia e Teatro da ANPOLL e membro do GT Territórios e Fronteiras da ABRACE.

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