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O Brasil está vivenciando um longo ciclo de mudanças e transformações em relação à cultura afro-brasileira. Essa foi a conclusão da mesa redonda "Quilombos, cidades inovadoras, crescimento econômico e desenvolvimento territorial sustentável", que aconteceu nesta sexta-feira (27), durante a I Feira Quilombola do Paraná.
Realizada em conjunto pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Sesi-PR, e o Instituto Adolpho Bauer, de Curitiba, a feira acontece no Cietep, até sábado (28), reunindo programação cultural, debates e reflexão sobre a questão dos quilombolas e uma grande exposição de produtos das comunidades existentes no Paraná.
"Esse tipo de encontro é fundamental para a cidadania e a inclusão social dos grupos afro-descendentes. Queremos fortalecer a comunidade quilombola do Paraná e gerar novas oportunidades de negócios", destacou Adilton de Paula, coordenador geral da Feira e coordenador do Instituto Adolpho Bauer.
Na avaliação do secretário executivo da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, João Carlos Nogueira, o século XXI marca as conquistas que ficaram estagnadas nos séculos XIX e XX. "As comunidades afro-brasileiras estão cada vez mais presentes na sociedade. O próximo censo mostrará a verdadeira proporção dessa população, já que hoje as pessoas não precisam esconder que são negras", disse Nogueira.
O secretário executivo destacou a dimensão da população negra no Brasil. "Hoje, 1/3 da população da região sul é negra. E estamos falando em Santa Catarina, que até então desconhecia as comunidades afro. Já avançamos muito no mapeamento das comunidades quilombolas e negras, mas acredito que a região Sul ainda precisa investir mais em pesquisas", observou.
Segundo Glauco Lobo, presidente do grupo de trabalho Clóvis Moura, um mapeamento feito pelo instituto mostra que existem mais de 100 comunidades afro-brasileiras no Paraná, sendo que 54 são remanescentes de comunidades quilombolas. "Elas preservam a cultura e os costumes dos quilombos", afirmou.
Empreendedorismo - Um dos objetivos da feira é gerar oportunidades de negócios para as comunidades quilombolas. "A ideia é criar novos nichos de mercado. Vamos criar novas formas de escoar as mercadorias produzidas nas comunidades quilombolas e criar um arcabouço de desenvolvimento", sugeriu João Bosco, presidente da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra).
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